Editorial

Vamos, todos, ser agentes de saúde pública?

O regresso às aulas será, verdadeiramente, a volta à normalidade?

Vamos, todos, ser agentes de saúde pública?

Não é o regresso à normalidade, porque “enquanto houver covid-19 a vida não será normal”, salientou o primeiro ministro António Costa, há uns meses.

Num momento em que se vê, supostamente, uma segunda vaga (e com números, ainda mais, alarmantes), o regresso às aulas implica novas regras, cuidados redobrados e planos preparados para os piores cenários.

Os cientistas apontam o mês de dezembro como “o mais duro” desta pandemia e António Costa admite que vamos “entrar num momento crítico”. Há que seguir as recomendações dadas pela DGS e sejamos “agentes de saúde pública”.

Mas afinal estas recomendações é para todo o país ou lá para terras do grande ecrã, a situação muda de figura?

É que lembro-me de ver, rever, ouvir e voltar a ouvir que ajuntamentos, apenas, até 20 pessoas, mas há quem tenha juntado dezenas de pessoas para comemorar o seu 43º aniversário e, parece que, a única “regra” era máscaras e distanciamento social à porta.

Agora, pergunto-vos afinal é só o Zé Povinho que tem de “gramar” com estas medidas? Há uma espécie de “Deus” (e isso foi visível no Santuário) que dita quem faz e quem não faz?

A DGS e o Governo fazem o seu papel em alertar-nos, todos os dias, para o que aí vem, apelando a sermos cuidadosos e mantermos a distância, mas o normal está longe de regressar e, preparem-se, que ainda vai demorar. Demorar tanto como a linha ferroviária Covilhã-Guarda (ou mais!)

Este regresso à “normalidade” vai contribuir para o aumento dos casos e a comunidade escolar está preocupada com este regresso, os planos realizados vão ser postos à prova, é esperar para ver se surtem efeito. O risco é real, mas temos de saber conviver com ele.

As escolas podem vir a ser locais de contágio, assim como os transportes públicos, a ida à bica, mas é nas escolas onde o saber não ocupa lugar, é lá que formamos os agentes do futuro e cabe-nos contribuir para o melhor funcionamento das mesmas, com e sem pandemia.

Não se recordam como foi difícil o confinamento com ensino à distância e digitalmente? Houve escolas e professores que não conseguiram dar resposta a esta forma de ensino, é isso que pretendemos para o futuro da nossa sociedade?

Vamos ser agentes de saúde pública, sempre! Agentes no bom e no mau.

Redação Viva Serra

Entre em contato com a redação do Viva Serra | jornalismo@redevivacidade.com