Uma questão de Velocidade Competitiva

Uma questão de Velocidade Competitiva

Os últimos dias têm despertado a atenção para a nossa região, nomeadamente no que toca à reactivação da circulação na Linha da Beira Baixa, entre a Guarda e a Covilhã, o que permitirá também a ligação até Vilar Formoso. Mais uma vez, a estratégia fica a falhar e a ousadia persiste em não marcar a espuma dos dias de quem nos governa. Refiro-me, essencialmente, à importância de que se revestiria esta empreitada de modernização e electrificação da via-férrea se contemplasse uma significativa melhoria ao nível do tempo nas ligações. No que toca ao transporte – quer seja de passageiros quer seja de mercadorias – a velocidade, ou seja, o tempo é que dita a competitividade e a sustentabilidade do meio de transporte (neste caso, a ferrovia).  Levar mais de 40 minutos (chegando mesmo aos 50 minutos) a fazer o trajecto Guarda – Covilhã deixa reservas face às expectativas anunciadas. Percorrer 1 quilómetro por minuto é alimentar a divergência dos padrões europeus. Falta-nos essa velocidade competitiva!

Mas, a pertinência da reabertura da Linha da Beira Baixa, a par das obras de requalificação da Linha da Beira Alta, com início previsto em Dezembro deste ano e já com investimento previsto de 550 milhões de euros, devem devolver à Guarda (distrito) a centralidade e a sua valiosa posição geográfica no contexto europeu e dos eixos rodo e ferroviário, o que não pode deixar de ser reivindicado e trabalhado desde o ponto de vista dos negócios, da atracção de investimento privado e do apoio ou investimento público. Esse deve ser um ímpeto de cooperação e de coesão do território nacional e, não menos importante, de vontade em combater os desequilíbrios territoriais que têm pautado a vida do nosso país. Não temamos em clamar por essa justiça e por essa ambição de reverter o actual paradigma das coisas, porque é por demais imperioso inverter os mecanismos de política pública que têm conduzido o país a graves desigualdades sociais e económicas de âmbito territorial.

Ainda, a propósito da ferrovia, a requalificação e reactiviação da Linha do Douro, na ligação Pocinho – Barca D’Alva, não pode deixar de ser encarada com a prioridade que lhe é devida e com o investimento que é necessário. Questiono-me se não haverá verba do PRR para essa importante obra de valorização do interior do País!? Seria, por certo, uma fulcral aposta para a valorização turística da região, numa altura em que o Turismo do Interior é uma tendência. Não é só de visão estratégica do que se trata, é também de vontade em fazer crescer o país de forma harmonizada.

E, igualmente importante, é garantir que a famigerada aposta na conectividade digital não é apenas a moleta para discursos complacentes que agradam no contexto duma Europa que se espera moderna. É necessário investir por cá, para assim fazer coincidir a promessa com a realidade.

Entretanto, a crise pandémica veio fazer sobressair ainda mais vulnerabilidades ao nível duma estratégia para o país. O grau de imprevisibilidade do funcionamento dos mercados é muito grande em consequência da pandemia. Por exemplo, dada a importância do sector do Turismo para a economia nacional, a aposta tem de ser orientada para a inovação. Também, para um impulso, um estímulo ao mercado interno. Dadas as especificidades desta indústria e a necessidade de nos adaptarmos às actuais tendências dos mercados turísticos, só assim (através da inovação) será possível responder de forma competitiva no mercado global, respondendo antecipadamente à concorrência de outros destinos. 

Entende-se, por tudo isto, pertinente reorientar o país através de um conjunto de eixos de intervenção, que, ao nível do contributo para a política pública, estarão focados na garantia da sustentabilidade do sector do Turismo. Ocorrem-me os seguintes: 

  1. A digitalização ao serviço do turismo:
    • Para facilitar a adaptação às tendências que ditam o funcionamento do mercado global
    • Para monitorizar os fluxos turísticos e assim ter mecanismos de resposta mais ágeis 
    • Para investir em cobertura total de rede e assim ter infraestruturas de suporte à atracção de nómadas digitais 
    • Para promover medidas que respeitem a sustentabilidade dos espaços e a preservação/equilíbrio ambiental
    • Para adequar a oferta e a procura àquilo que são os destinos ‘SMART’
  1. 2.A qualificação da oferta turística:
  • Para garantir que os melhores profissionais estão ao serviço dos melhores destinos
  • Para elevar a qualidade na oferta e assim poder reforçar o valor do serviço prestado e capitalizar o tecido empresarial
  • Para ajustar as competências dos profissionais do sector às tendências da digitalização
  1. 3.A personalização do serviço / experiência:
    • Para reforçar o potencial do destino e as garantias de segurança e de confiança 
    • Para responsabilizar os responsáveis pela oferta turística qualificada
    • Para reforçar a pertinência da cooperação entre os agentes públicos e privados
  1. 4.A estruturação de produtos renovados (criação do uma combinação de macro recursos endógenos por território e integrados na marca ‘Portugal’)
  • Para repensar e reorganizar novos destinos (valorizar, por exemplo, o Turismo do Interior e garantir uma oferta nacional integrada e sem os efeitos da sazonalidade)
  • Para potenciar o valor do destino (Portugal precisa de apostar na produção de bens e serviços de alto valor acrescentado)
  • Para reforçar e melhorar a comunicação 
  • Para criar escala de afirmação
  • Para promover efectivamente a coesão territorial

As sugestões supra são o resultado de um olhar atento sobre o País, admitindo, desde logo, que a indústria do Turismo tem evidenciado uma capacidade de resiliência e de assumir riscos, fruto do dinamismo das empresas, pelo que é um sector-chave, que deve considerar e perpetuar o reconhecimento como destino turístico de excelência, sustentável e, acima de tudo, seguro.

Com alma até Almeida – hoje e sempre.

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