REFLEXÃO EM TEMPO ELEITORAL

REFLEXÃO EM TEMPO ELEITORAL

Ainda não me é percetível qual o resultado eleitoral das diversas forças políticas concorrentes às eleições de 30 de Janeiro que decorrem do chumbo do orçamento e da precipitada dissolução da Assembleia da República e convocação de eleições pelo Presidente da República, pois o chumbo não impedia a apresentação de uma nova proposta de orçamento que merecesse a aprovação dos partidos à esquerda.

Porque este não é o espaço para uma argumentação que seja confundível com a participação na campanha eleitoral partidária, limitar-me-ei a uma reflexão que considero relevante para a vida das pessoas e que deve fazer parte de uma política de desenvolvimento e progresso do Interior do País.

Neste momento, dada a perda demográfica com a acentuada diminuição da população e o seu envelhecimento no Interior, é inevitável voltar a falar do que já falei. Poder-se-á dizer que este é um problema geral do país. Mas, note-se, que, enquanto no país isso apenas aconteceu na última década com uma diminuição de 2,1%, no Interior é um problema que se arrasta há décadas e em termos percentuais a situação é dramaticamente mais grave (nesta década o distrito de Castelo Branco perdeu mais 10,40% e o da Guarda perdeu mais 12,5% da sua população).

A perda no Interior tem a ver com o abandono a que este foi votado por políticas economicistas erradas de sucessivos governos do PS e do PSD com ou sem CDS e, infelizmente, o actual governo está em estado de negação ou de auto satisfação, recusando-se a ver que as medidas até agora adotadas são ilusórias, não são as suficientes e ficam aquém das necessárias.

Nesta disputa eleitoral e no futuro, o combate ao despovoamento e ao envelhecimento da população e a adopção de políticas de fixação e atração de população para o Interior deve ser um desígnio nacional que a todos deve mobilizar.

Mas alerto: há quem defenda que a solução está numa política de imigração em massa para o Interior. Ora, para mim, que não recuso e até apoio a vinda de imigrantes, este é o caminho mais curto para o descalabro, pois a vinda de imigrantes para o Interior é uma solução ilusória e falaciosa e é um artificio para esconder os verdadeiros problemas e limitar as soluções.

O problema no Interior é a fragilidade do seu tecido económico e empresarial e são os baixos salários. É isto que leva à saída da nossa população mais jovem e qualificada e à falta de mão de obra e, além disso, há territórios no Litoral muito melhor posicionados para acolher e dar condições de vida e de trabalho aos imigrantes.

Por mim volto a reafirmar propostas que já apresentei e que passam por:

  • Mais e melhor emprego com apoio à dinamização e modernização da actividade económica e à reindustrialização do Interior;
  • Aumento dos salários em geral e do rendimento disponível e estudar a criação do Aumento Mínimo Nacional Anual;
  • Oferta pública de Habitação a preço acessível e de qualidade;
  • Políticas públicas de mobilidade, de acessibilidade e de transportes, aplicando ao Interior a política de passes sociais em vigor nas Áreas Metropolitanas, eliminando as portagens e criando uma rede de ligações entre o transporte ferroviário e rodoviário;
  • Resposta às questões ambientais e às alterações climáticas;
  • Cobertura do Interior com a rede 5G para aumentar a nossa competitividade e dar condições de igualdade a todos os cidadãos e empresas de todo o território nacional;
  • Investir no SNS, melhorando as condições de acesso aos cuidados de saúde nas suas especialidades e valências com mais verbas para a sua qualificação e modernização e para a valorização dos seus profissionais;
  • Investir no ensino e na educação e nos seus profissionais e reforçar o financiamento da Escola Pública e das Instituições de ensino superior;
  • Dar um novo enfoque à cultura, às artes e ao desporto e à criação e fruição cultural e desportiva.

Estes são alguns elementos para uma política de desenvolvimento do Interior, já que este não precisa apenas de crescer, acima de tudo tem de se desenvolver.

 

*Luís Garra,

Dirigente Sindical

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