Por Portugal, hoje e sempre

Por Portugal, hoje e sempre

Tenho um imenso orgulho em ser portuguesa e disso não me cansarei de invocar. Mas, é bom que este orgulho não me tolde o raciocínio e até a clarividência de reconhecer os defeitos e as fraquezas quer do país quer do povo português (de onde não tenho a petulância de me excluir).

Em primeiro lugar, somos muito de enveredar por ideias pré-concebidas, tantas vezes sem qualquer fundamento científico ou até rigor casuístico, mas insistimos que sim, que é verdade ou que é mentira e nem tão pouco nos questionamos. Vivemos algo agarrados a um corrimão de ideias feitas.

Claro está que isso nos leva a incorrer repetidas vezes nos mesmos erros. E temos de ‘abrir os olhos’, ficar bem alerta diante do horizonte de oportunidades que, não queira a teimosia nos apanhe distraídos ou no engodo de acreditar que alguém fará por nós aquilo que temos, de forma intransigente, de defender e pelo que temos de lutar.

Ao longo dos anos e do desenrolar da nossa história como nação tem-se manifestado uma relevante incapacidade em antecipar mudanças face à iminência de futuras crises. Ou, em contraponto, até de promover certas e determinadas mudanças que, com ousadia e vontade, poderiam mudar certos rumos de retrocesso e de inverter ciclos de estagnação.

Repare-se como é fulcral um olhar, por exemplo, mais atento e até disruptivo em relação ao pilar das políticas sociais, o que se repercute, concomitantemente, na resposta do sector da saúde e também da segurança.

Repare-se como é urgente uma reorganização do país em resposta às suas próprias vulnerabilidades, que são conhecidas e sentidas pela grande maioria.

Repare-se como seria de todo necessário, ainda que entendo que prudente, uma reforma da administração pública. É preciso ousar mudar a ordem das coisas desorganizadas. Arrumar e equilibrar de forma virtuosa o papel do Estado e o papel do Mercado, colmatando certos conflitos no funcionamento harmonioso e sustentável de cada um.

Repare-se como é de todo fundamental apostar em domínios estratégicos para uma transformação económica, essencialmente, ao nível da Indústria, promovendo autonomia, reforçando as competências funcionais, mas, acima de tudo, não permitindo falhas ao nível das competências institucionais; apostando ainda em sectores que se podem vir a afirmar como ‘chave’ e que proporcionem a capacidade de se produzirem bens de alto valor acrescentado. Isso promove a competitividade nacional, atrai investimento, cria emprego, eleva a auto-estima colectiva do povo português, já que leva também a que sejam substituídas importações de alto custo, que tanto nos pesam nas contas.

E oxalá o Plano de Recuperação e Resiliência venha ainda a ter essa capacidade de promover as mudanças necessárias, apostar nos sectores-chave, apoiar à tão urgente capitalização das empresas, promover a igualdade e o desenvolvimento do território nacional de forma harmoniosa.

Para isso, e a propósito da ‘bazuca’, e porque ‘o seguro morreu de velho’ convém não esquecer que outro grande erro do nosso país tem sido o de não ter apostado, ao longo dos anos, numa cultura de avaliação e monitorização, eficiente e isenta, dos fundos aplicados e do seu impacto gerado. Ora aqui está uma oportunidade de se promover uma mudança que traz rigor, transparência e verdade. Convém lembrar que sem confiança não existe democracia.

E, a propósito de democracia, sejamos sérios neste país que o sentimos esplendoroso, mas ao qual não podemos alhear-nos de temer pelo pior quando se promete a descentralização e se promove o centralismo; quando se promete a coesão e se promove a desigualdade; quando se promete um estado democrático e se promove a injustiça social e se deixa prescrever um Estado justo em que os direitos e deveres têm de ser parte duma democracia de um Portugal grande e que respeita os valores da sua Constituição e da Europa.

Hoje e sempre, por Portugal e com alma até Almeida.

 

*Coordenadora da Territórios do Côa, ADR PhD em Economia;

Pós-graduada em Marketing Territorial;

Investigadora do NECE (UBI) e Docente do Ensino Superior

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