O amanhã conta connosco

O amanhã conta connosco

O tempo avança e não pára.
No momento em que escrevo, estamos no instante imberbe do Verão.
Estamos a entrar no período em que, por tendência sazonal, abrandamos, relaxamos, fazemos valer o esforço de todo um ano para ganhar o fôlego necessário para enfrentar outro ano profissional.
Mas, este ano, escrevo para comentar o incomentável.
O ambiente global vive tempos tempestuosos. E como se não bastasse, dizem-nos que a tempestade ainda nem chegou e o que vivemos são os primeiros aguaceiros dela.
O terrível prenúncio dos tempos positivos que teimam em não anunciar. Que teimam em nos impor.
Os novos fôlegos dos novos tempos são o dia-a-dia, que procuramos saborear, na festa que frequentamos, no convívio de que usufruímos.
O desafogo que propiciaram as festividades dos Santos Populares foram disso exemplo.
De forma abnegada, dedicada e extremamente meritória, muitas foram as associações de bairro da Guarda que garantiram, através da dedicação de muitos dos seus dirigentes, associados e amigos, momentos felizes que nos proporcionaram a oportunidade de poder esquecer os desaforos deste mundo.
Foram dias e noites de animação e convívio que nos fizeram esquecer o quanto difícil foram estes últimos anos e nos devolveram a motivação para enfrentar o desconhecido que está bem à nossa frente.
Por isso, é mais do que justo que aproveite esta oportunidade para atestar, na primeira pessoa, o orgulho que sinto pelo associativismo Guardense.
Associativismo a que muito me honra pertencer. E que, por isso, sei o quão difícil é promover e em prol do qual é tão complicado trabalhar.
Se não é pela falta disponibilidade, é por muitas e variadas razões. Um dos maiores problemas da nossa atualidade é a preguiça comunitária.
Tudo serve de desculpa na hora de integrar missões coletivas. De manifestar interesse no que nos rodeia. De participar ativamente para contribuir para melhorar o dia a dia da nossa comunidade.
E depois estranha-se a falta de representatividade das nossas ideias e convicções no que diz respeito ao nosso quotidiano. Gera-se indignação porque não somos ouvidos, quando nem a boca abrimos, porque se mantêm os problemas que já ontem existiam, quando nem à distância gerada pela via digital quebramos a preguiça em participar em múltiplos momentos que envolvem os poucos cidadãos que se dedicam ao próximo, mais do que a si mesmo.
E quando vemos esses exemplos, achamos que estão lá por proveito próprio. Que o abdicar do seu tempo, da sua família, amigos, do seu conforto e bem-estar tem de ser, forçosamente, a pensar em si próprio.
Não é verdade. Não é mesmo verdade.
Urge, portanto, inverter esta forma de pensar. O mundo até pode mudar por si mesmo, mas se não contribuirmos para a mudança tornamos o nosso pensamento absolutamente irrelevante.
Não basta fazer a cama todos os dias.
É preciso ir muito mais além do que ceder à tentação de ter por garantido o esforço de outros.
É a partir do nosso próprio esforço que garantimos que o amanhã conta connosco e que nós somos parte da mudança, somos essenciais neste futuro que tanto precisa de todos.

*Fábio Pinto

Coordenador do Grupo do Partido Socialista na Assembleia de Freguesia da Guarda

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.