Indicador Sintético de Desenvolvimento Regional 2021 nas 25 regiões NUTS III do país: a confirmação das duas velocidades

Indicador Sintético de Desenvolvimento Regional 2021 nas 25 regiões NUTS III do país: a confirmação das duas velocidades

Embora muito recentes em termos de publicação, este trabalho utiliza dados de 2019, logo anteriores ao início da pandemia SARS – CoV 2, ou Covid-19. É uma prática usual esta de os dados serem publicados com atraso, e de que geralmente não gostamos, mas é assim porque determinados dados estatísticos só são libertados por vezes cerca de dois ou três anos depois da sua recolha certamente por dificuldades técnicas, de confirmação ou outras. É o caso destes agora utilizados. Mas estudos destes são sempre importantes para aquilatar do nível de desenvolvimento das regiões que compõem o país as chamadas nuts III. Os resultados confirmam aquilo que sabemos e já esperamos, que o país, em termos de desenvolvimento, continua, no mínimo, a duas velocidades, uma a do litoral, mais rápida, a velocidade europeia, e outra no interior, mais lenta, mais característica dos países do terceiro mundo e que apenas no vector ambiental as regiões do interior superam as do litoral.

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O INE publicou recentemente mais um Índice Sintético de Desenvolvimento Regional 2021. Este trabalho vem no seguimento de outros desenvolvidos pelo próprio INE e também por outras entidades como o Observatório de Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior que sobre uma perspectiva relativamente próxima publicou três estudos sobre Índice de Qualidade de Vida (em sentido lato) ou Índice Sintético de Desenvolvimento Económico e Social dos 308 concelhos portugueses e que tanto impacto tiveram na opinião pública. Os dados destes estudos eram também dados oficiais do INE, a metodologia ainda que parecida tinha alguns pormenores que as distinguiam deste e o nº de variáveis no último estudo publicado era de 48 bastante mais que as usadas até então pelo INE.

Segundo o próprio, “O INE divulgou a edição do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional 2021 que se refere a dados de base de 2019, naquilo que é um exercício que se iniciou em 2006 e que tem consistência metodológica na atual versão desde 2011” (INE).

Índicador de Desenvolvimento das Regiões (2021): Na edição de 2021 – que, como referido, usam dados de 2019 -, o INE agrupa as variáveis e com esses agrupamentos calcula três índices temáticos – a que deu os nomes de competitividade, coesão e qualidade ambiental – cuja junção leva ao Índice sintético global com o qual se pode fazer um ranking ou ordenação geral das regiões que nos permite comparar os níveis de desenvolvimento neste casos das 25 regiões ou nuts III do país. O actual indicador global assenta em 65 indicadores que cobrem as três dimensões acima referidas que são sintetizados em vários factores, neste caso três, geralmente recorrendo a técnicas de Análise Factorial, para poderem ser reduzidos a um número, o indicador da região. Vejamos de seguida os três índices individuais e depois o índice de desenvolvimento geral.

No índice de competitividade apenas três sub-regiões superavam a média nacional: a Área Metropolitana de Lisboa, com posição destacada, a Região de Aveiro e a Área Metropolitana do Porto, com a competitividade a apresentar a maior disparidade regional entre as três dimensões de desenvolvimento regional. Por sua vez todas as restantes sub-regiões ficam-se abaixo, também aqui da média nacional. A título de exemplo, as Beiras e Serra da Estrela e a Beira Baixa, ficam-se pelos 85.47% e 81.34%, respectivamente, muito longe e para baixo da média nacional (100%), -14.53% e -18.66%, resp.

No índice de coesão, sete NUTS III, maioritariamente do Litoral do Continente, superavam a média nacional. Nesta dimensão destacavam-se a Área Metropolitana de Lisboa, a Região de Coimbra e o Cávado com os índices mais elevados e só depois as regiões do Alto Minho, AM do Porto, Aveiro e Leiria. Abaixo da média nacional as restantes regiões todas do interior do país. Por ex, as Beiras e Serra da Estrela e a Beira Baixa, ficam-se pelos 95.76% (-4.24%) e 92.74% (7.26%), resp.

Com valores mais elevados do índice de qualidade ambiental salientavam-se as sub-regiões do Interior e as regiões autónomas. A média nacional era superada por 16 NUTS III, verificando-se uma disparidade regional menor que a observada para as restantes dimensões. A Região Autónoma da Madeira era a sub-região com maior índice de qualidade ambiental”, seguida de RA Açores, A. Minho, Cávado, Ave, AM Porto, A Tamega, T. e Sousa, Douro, TosMontes, BB (104.58%, +4.58% acima da média nacional), BSE (108.99%, +8.99% amn), B. Alentejo, Lezíria Tejo, A. Alentejo e A. Central. Abaixo da média nacional ficam agora a maior parte das regiões do Litoral no Centro como Leiria, Coimbra e Aveiro, Viseu Dão-Lafões, Médio Tejo, AM Lisboa, Alentejo Litoral e Algarve.

Por fim podemos concluir que em 2019, de acordo com o índice sintético de desenvolvimento regional, quatro das 25 sub-regiões NUTS III superavam a média nacional em termos de desenvolvimento regional global – as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, a Região de Aveiro e o Cávado. As restantes 21 estavam todas abaixo da média nacional. As Beiras e Serra da Estrela e a Beira Baixa, por exemplo, ficam-se por 96.36% e 92.51%, respectivamente, logo 3.64% e 7.49% abaixo da média nacional.

Em suma, podemos concluir que os resultados deste índice de desenvolvimento confirmam aquilo que sabemos e já esperamos, i. é, que o país, em termos de desenvolvimento, continua no mínimo a duas velocidades, uma, a do litoral, mais rápida, a velocidade europeia, e outra no interior, mais lenta, mais característica dos países do terceiro mundo, e que apenas no vector ambiental as regiões do interior superam as do litoral. Precisa-se urgentemente de um programa comunitário que reponha o equilíbrio entre as várias regiões do país porque nacional não acreditamos que alguma vez essa decisão venha a ser tomada.

 

*Prof Catedrático de Economia. Universidade da Beira Interior. Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social (ODES)

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