Barómetro e dinamismo empresarial de maio 2022 no país e nos distritos

Barómetro e dinamismo empresarial de maio 2022 no país e nos distritos

Há tempos que não apreciamos a dinâmica empresarial – criação de empresas e outras instituições, encerramento e insolvências – tanto no país em geral como a nível regional, neste caso distrital. Parece-nos oportuno fazê-lo neste momento agora que a maioria das restrições impostas pelo Covid-19, que não o Covid em si, já foram retiradas e já se respira um pouco mais à vontade. O INE e o IEFP/emprego dizem-nos que em termos de taxa de desemprego, descontados os que foram lá para fora, a situação não é má (5.8% de taxa de desemprego), ao nível da criação de emprego as estatísticas mostram que também aí algum tem sido criado, têm crescido as exportações (e as importações ainda mais em termos relativos), a atividade económica portuguesa é nesta altura a mais dinâmica da Europa segundo a Comissão Europeia (CE)…. Mas será a situação sustentável a médio/longo prazo? Como estamos em termos de criação de empresas pois são elas sem dúvida (e o Estado) que criam empregos e riqueza? E de mortes de empresas? E de insolvências? Haverá algum sinal de que as assimetrias regionais se estão a reduzir? Ou pelo contrário, estarão a aumentar? São estes os temas do texto que a seguir apresentamos com base em dados da AB Informa de maio.

No mês de maio que acabou de terminar a dinâmica empresarial nacional e distrital pautou-se pelo seguinte comportamento: a nível nacional foram criadas +4057 empresas ou outras instituições (correspondente a 0.7% do tecido empresarial), encerraram +777 (correspondente a 0.1%) e encontram-se em processo de insolvência 153 (0%).  Por distritos, os mais dinâmicos em termos de criação de empresas foram, sem surpresa, os maiores e mais desenvolvidos, começando por Lisboa +1400 empresas (34.5%), Porto 664 (16.4%), Setúbal 342 (8.4%), Faro 270 (6.7%), Braga 261 (6.4%), Aveiro 197 (4.9%), Leiria 154 (3.8%), Funchal 113 (2.8%), Santarém 110 (2.7%), e Coimbra 105 (2.6%). Os que criaram menos empresas foram os açorianos Angra do Heroísmo 10 (0.2%), Horta 11 (0.3%), Ponta Delgada 23 (0.6%), e os do interior do continente, nomeadamente, Portalegre 22 (0.5%), Guarda 30 (0.7%), Bragança 33 (0.8%), Vila Real 35 (0.9%), Évora 39 (1.0%), Castelo Branco 47 (1.2%), Beja 52 (1.3%), Viseu 70 (1.7%) e Viana do Castelo 69 (1.7%), este não do interior.

Lisboa, Porto, Setúbal e Braga são também os distritos que viram encerrar mais empresas 33.5%, 18.5%, 8.4%, 6.4% (resp.) e o interior e os Açores são os que perderam menos. A situação é parecida em termos de insolvências de empresas também com Lisboa 23.5%, Porto 21.6%, Aveiro 10.5%, Braga 7.2%, Setúbal 5.9% nos primeiros lugares. O quadro seguinte mostra todos os valores de nascimentos, encerramentos e insolvências para todos os distritos e o país.

Distritos Nascimentos Encerramentos Processos de insolvência
Maio 2022 Maio 2022 Distribuição (%) Maio 2022 Distribuição (%) Maio 2022 Distribuição (%)
Angra do Heroísmo 10 0.2% 1 0.1% 0 0.0%
Aveiro 197 4.9% 37 4.8% 16 10.5%
Beja 52 1.3% 9 1.2% 0 0.0%
Braga 261 6.4% 50 6.4% 11 7.2%
Bragança 33 0.8% 5 0.6% 3 2.0%
Castelo Branco 47 1.2% 6 0.8% 7 4.6%
Coimbra 105 2.6% 19 2.4% 7 4.6%
Évora 39 1.0% 6 0.8% 1 0.7%
Faro 270 6.7% 46 5.9% 5 3.3%
Funchal 113 2.8% 22 2.8% 4 2.6%
Guarda 30 0.7% 6 0.8% 1 0.7%
Horta 11 0.3% 1 0.1% 0 0.0%
Leiria 154 3.8% 30 3.9% 7 4.6%
Lisboa 1 400 34.5% 260 33.5% 36 23.5%
Ponta Delgada 23 0.6% 1 0.1% 3 2.0%
Portalegre 22 0.5% 5 0.6% 0 0.0%
Porto 664 16.4% 144 18.5% 33 21.6%
Santarém 110 2.7% 21 2.7% 3 2.0%
Setúbal 342 8.4% 65 8.4% 9 5.9%
Viana do Castelo 69 1.7% 18 2.3% 3 2.0%
Vila Real 35 0.9% 9 1.2% 1 0.7%
Viseu 70 1.7% 16 2.1% 3 2.0%
Total 4 057 100.0% 777 100.0% 153 100.0%

 

Face ao tecido empresarial já existente os nascimentos de empresas em maio de 2022 representam apenas 5.2% a nível nacional, mas em Ponta Delgada são 23,0%, na Horta são 11%, em Angra do Heroísmo 10%, Castelo Branco 7,8%, Bragança 6,6%, Évora 6,5%, Faro 5,9%, Beja 5,8%, e Coimbra 5,5%. Seguem-se ainda por ordem decrescente Lisboa 5,4%, Aveiro 5,3%, Setúbal 5,3%, Braga 5,2%, Santarém 5,2%, Funchal 5,1%, Leiria 5,1%, Guarda 5,0%, Porto 4,6%, Portalegre e Viseu 4,4% cada, Vila Real 3,9%, e Viana do Castelo 3,8%.

De referir ainda que o tecido empresarial português tinha no fim do mês passado 544342 empresas ou outras instituições das quais em Lisboa estavam sedeadas 157419 (28,9%), no Porto 93305 (17,1%), em Braga 42271 (7,8%), Setúbal 4047 (6,3%), Aveiro 31098 (5,7%), Faro 27 026 (5,0%), Leiria 24705 (4,5%), Santarém 19031 (3,5%),Coimbra 18678 (3,4%), Viseu 15271(2,8%), Funchal 12341 (2,3%), Viana do Castelo 10586 (1,9%), Évora 8327 (1,5%), Vila Real 8274 (1,5%), Castelo Branco 8142 (1,5%), Beja 7724 (1,4%), Guarda 6599 (1,2%), Bragança 6003 (1,1%), Portalegre 5169 (0,9%), Ponta Delgada 4575 (0,8%), Angra do Heroísmo 2259 (0,4%) e Horta 1492 (0,3%).

Para encerrar e em jeito de síntese, resta nos referir que abril de 2022 foi o primeiro mês desde outubro de 2021 em que a criação de novas empresas caiu face ao período homólogo (abril de 2021) e que esta descida se concentrou sobretudo na região Norte (-322 constituições), que corresponde a cerca de 70% do total da queda verificada, particularmente no setor do Retalho. Em temos regionais a situação mantém se inalterada: o litoral de Setúbal a Braga, com uma pequena ajuda do Algarve, região mais rica, concentra a maior parte tanto das empresas como do emprego existentes e continua também a liderar na criação de novas empresas (e encerramentos e insolvências igualmente). O interior de Bragança e Vila Real, passando por Viseu, Guarda, Castelo Branco, Évora e Beja, registam um fraco dinamismo empresarial, pois não só têm uma demografia empresarial (nº empresas) mais fraca, em números absolutos e relativos, como não têm conseguido atrair um nº significativo das empresas que vão vendo a luz do dia. As duas velocidades que há muito tempo caracterizam o ritmo de crescimento / desenvolvimento do nosso país continuam num processo imparável de aceleração no litoral e de abrandamento no interior. Assim o interland não vai lá nem com o auxílio dos fundos comunitários da “bazuca” que reservam, como sempre, a parcela menor para a faixa geográfica encostada a Espanha e a fatia de leão e os estímulos da API para o Litoral e Algarve…

 

*Prof Catedrático. Universidade da Beira Interior.

Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social (ODES)

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