É urgente acordar

18 de Agosto de 2020

Por João Botão dos Santos

Longe vão os tempos em que tínhamos a certeza de que ninguém mais cerraria as portas que Abril abriu. Hoje, temos de lutar contra quem pede um novo 25 Abril, como quem pede que este nunca tivesse existido e, por muito que isto possa parecer inofensivo, não o é, e cria um desafio que não podemos largar- manter o bem mais essencial de todos, a nossa democracia.

É urgente agir. Estamos, semana após semana, a entrar numa onda embutida em pensamentos que destilam ódio e colocam em causa os valores mais básicos da liberdade e dos direitos humanos. Tudo isto por alguém, eleito através do voto do povo, que nos tenta incutir uma agenda discriminatória e populista (onde é que eu já li isto?!).

É urgente acordar e impedir que esta (falsa) sensação de que está tudo bem incite, cada vez mais, esta podridão de pensamento. Não podemos (nem devemos), por isto, fugir aos mais recentes acontecimentos. Primeiro foi uma “manifestação” de um “grupo” de nacionalistas que decidiram utilizar simbologia racial, equipados a rigor, com máscaras brancas e tochas decorativas, qual “Querido Mudei a Casa”. Depois foram as ameaças, dignas de filme de ação Americano a três Deputadas e sete Ativistas que, juntamente com os respetivos familiares, foram ameaçadas de morte. Ameaçadas por serem antirracistas e antifascistas, ou seja, por estarem do lado certo da história.

É preciso ter bem presente que uma ameaça de violência (ou de outro âmbito) sobre qualquer Deputado da Assembleia da República é, no fundo, uma ameaça à própria democracia. E isto aconteceu, aconteceu em Portugal.

Carlos Vaz Marques, escreveu num destes dias -“Ignorar os inimigos da liberdade é um perigo; dar-lhes o protagonismo por que eles anseiam é uma armadilha”- é com esta dualidade que nos debatemos diariamente e que só a ultrapassaremos com a convicção clara que nunca foi tão necessário preservar aquilo que tanto custou aos nossos antepassados conquistar. Temos de acreditar no estado que construímos e não podemos dar nenhum passo atrás.

É nas nossas mãos que começa a liberdade, por isso façamos o favor de a preservar. É urgente acordar, agora, mais do que nunca.