A perseverança compensa

1 de Setembro de 2020

Por João Botão dos Santos*

Começam a faltar palavras para descrever uma jovem que cedo se decidiu imiscuir na senda da vitória. E quando falo em vitória, falo em algo que transcende títulos e taças, falo na maior e mais importante conquista- a prova que as assimetrias e as barreiras naturais de um país geograficamente distinto não nos impendem de atingir a glória.

Citando um dos mais exímios “esmiuçadores” da língua portuguesa, Samuel Úria, esta jovem traça os seus trilhos entre aliterações e fá-lo de uma forma tão perspicaz que quase nos faz questionar a sua tão tenra idade.

Recordo-me de ter o privilégio de entrevistar a Sofia (ainda com 12 anos se a memória não me atraiçoa) e de ficar pasmado com a clareza com que olhava para o futuro e com a certeza que tinha nas palavras quando afirmava que com trabalho podia atingir tudo aquilo a que se propunha.

Não é, portanto, de estranhar que todo o seu quintal, aquando dessa entrevista, estava improvisado para o treino da modalidade que a apaixona desde muito nova, o golfe. Sim, grande parte dos treinos da sofia eram (e acredito que ainda sejam feitos) no seu quintal de forma improvisada. Não é fácil combater as assimetrias naturais da nossa geografia, muito mais quando falamos num desporto como o golfe. Não é fácil disputar provas com adversárias que têm todas as condições naturais para treinar e para a sua evolução, mas também é verdade que fazer das fraquezas, forças é “resguardo beirão”, parafraseando, uma vez mais, Samuel Úria.

A juntar a todas as assimetrias naturais juntam-se as longas deslocações para competir, porque se não existem infraestruturas para treinar, também não existe forma de competir na nossa região. Demasiadas barreiras, não parece? Ou oportunidades de demonstrar que tudo é possível quando trabalhamos para concretizar os nossos objetivos, mesmo que estes pareçam inalcançáveis.

Para os mais distraídos, a Sofia Sá pode ser apenas mais uma jovem que nasceu com uma aptidão natural para o desporto, neste caso, para a modalidade do Golfe, mas a verdade é que o talento não vive sem trabalho e os resultados que a jovem belmontense alcançou até hoje são a prova viva disso mesmo.

Recordo-me que o objetivo que foi avançado nessa entrevista era chegar à excelência. Permite-me confidenciar que na, minha opinião, já a atingiste, agora resta continuares o “logro da tua aventura” a brilhar e a mostrar que somos “do tamanho do nosso sonho”.

Parabéns, Sófia! Continua a transformar (a tua) utopia em realidade. Cá estaremos para aplaudir o teu sucesso.


*O autor enviou o texto para a coluna de forma voluntária