Sociedade

A desinformação a nível local vai ser investigada na UBI

O investigador Pedro Jerónimo vai liderar o projeto que envolve docentes da UBI, da Universidade de Coimbra e da Universidade Lusófona do Porto

A desinformação a nível local vai ser investigada na UBI

Foto: Rafael Mangana

“MediaTrust.Lab – Laboratório de Media Regionais para a Confiança e Literacia Cívicas” é o nome do projeto pioneiro que pretende estudar a problemática da desinformação à escala local, e que tem como objetivo capacitar jornalistas e público dos media regionais.

A investigação, que vai ser desenvolvida durante três anos, acaba de ser aprovada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), sendo um dos quatro projetos no painel de Media e Comunicação que obteve financiamento, num universo de 69 candidaturas.

O trabalho será desenvolvido a partir do LabCom – Comunicação e Artes, laboratório sediado na Faculdade de Artes e Letras (FAL) da UBI, mas terá também a colaboração de docentes da Universidade de Coimbra e da Universidade Lusófona do Porto.

Pedro Jerónimo, investigador do LabCom e responsável pelo projeto, explica que o crescimento da desinformação nos últimos anos foi um dos fatores que motivou este estudo. “Embora seja um problema que tem suscitado muita atenção, faltava olhar para ele a partir dos pequenos territórios. Há cada vez mais estudos, mas pouco se sabe sobre o que se passa ao nível regional e local.”, afirma.

A proximidade de eleições autárquicas foi outro dos motivos que “ajudou a reforçar a pertinência de olharmos atentamente para o problema”, acrescenta Pedro Jerónimo que destaca a importância da literacia mediática para combater esta problemática.

Jornalistas dos media regionais serão os primeiros a ser auscultados

A desinformação não é problema novo, mas agravou-se na era digital. Pedro Jerónimo explica que “a diferença é que nos últimos anos [este problema] ganhou outras proporções, sobretudo com a democratização das redes sociais. Os boatos, as meias-verdades ou a mentiras, que antigamente surgiam no contexto do café ou do barbeiro, entre um número limitado de pessoas, passou para o Facebook, que é frequentado por uma multidão”.

A facilidade de partilha de conteúdos nos meios digitais contrasta, segundo o investigador, com a falta de recursos de verificação dos media regionais, que se vêm confrontados com a diminuição das equipas de trabalho.  Por este motivo os primeiros a ser auscultados serão os jornalistas dos meios regionais de todas as zonas do país. “São, à partida, meios com recursos muito limitados. E a partir do nível local são menos, isto é, há menos jornalistas a poderem fazer verificação da informação que circula”, explica o responsável. “Simultaneamente, temos as autarquias cada vez mais profissionalizadas ao nível da comunicação e a recorrer cada vez menos aos media tradicionais. Cada uma tem a sua página no Facebook, onde publica o que quer, quando quer. Não precisa ou até não quer a intermediação de jornalistas”, diz ainda o investigador.

Sofia Craveiro

Redação